março 2011

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Por dentro do Salão do Móvel de Milão 2011

Eram 328 expositores. Hoje, são mais de 2500. O evento mais importante do mundo do design completa meio século em excelente forma e em grande estilo, movimentando 22 pavilhões em uma área de 200 mil m², no Complexo de Exposições de Rho-Pero, em um distrito próximo de Milão.

Esta edição, que vai de hoje até 18 de abril, promete ser especial, com uma programação que inclui o evento paralelo Fuori Salone e mostras espalhadas

pela charmosa cidade, em regiões como Brera, Zona Tortona e a recente Zona Lambrate. Isso, é claro, além da Euroluce, dedicada aos lançamentos em iluminação, o Salão do Complemento e Decoração, do segmento de acessórios, o Ufficio, especializado em produtos para escritórios, e o sempre aguardado Salão Satélite, exposição de jovens designers que sempre revela talentos.

Veja a seguir o preview de algumas peças do Salão do Móvel, que apontam os vários caminhos que as tendências deverão seguir na temporada.

A sustentabilidade continuará sendo um conceito forte, presente nos materiais utilizados e na valorização da fabricação com toques artesanais.

A Hemp Chair (cadeira de cânhamo), assinada pelo designer alemão Werner Aisslinger, utiliza uma tecnologia de baixo custo em que que fibras naturais são moldadas pelo calor, utilizando uma cola especial à base de água. Ela é empilhável e será apresentada como uma alternativa às cadeiras de plástico.

A Castor, produzida pelo estúdio Big-Game para a marca japonesa Karimoku New Standard, faz parte de uma coleção de mobiliário fabricada em carvalho – e também é empilhável, para ocupar menos espaço.

Outra ideia ecológica é da Yii, uma marca de Taiwan, que convidou vários designers para criar peças inspiradas nos rituais e no cotidiano do país, utilizando técnicas artesanais. O destaque é o sofá feito com bolas de bambu, de Kevin Chou.

Também da Yii, temos a cadeira Loop Chair, by Idee Liu.

Ainda falando em bambu (será que a moda pega mesmo?), a criação de Ryan Frank, a estante Zig, é produzida a partir de módulos neste material e estará disponível em uma variedade de cores elaboradas a partir de corantes naturais. Até vazia ela é impactante.

Já a banqueta Rik, assinada por Inon Rettig, valoriza a aplicação de madeira e traz a originalidade da base transparente.

A Wood Chair, da Moroso, tem assentos pintados com uma espécie de “madeira líquida”. Ela é uma alternativa ao plástico e traz uma leitura atualíssima de materiais naturais.

Outras peças que devem se destacar são as assinadas pelos Irmãos Campana. A dupla brasileira colaborou com a manufatura africana Klein Karoo, que trabalha com couro de avestruz, e produziu para a Edra uma série de itens que vestem essa pele.

Falando nos latinos, o designer chileno Jaim Telias é o nome por trás do Alef (vaso de cerâmica suistentado por um ramo) e da estante customizável Caramelos.

Jaime Hayon assina para a Fritz Hansen o sofá Favn (abraço em dinamarquês), inspirado em uma concha – macia por dentro e rígida por fora, com formas orgânicas.

Outras peças serão o centro das atenções – e falo aqui da famosa Kartell. A marca traz seus clássicos reinterpretados por várias personalidades ligadas ao cenário do design. Vi as imagens no blog da Ouvidor Design e não resisti!

Primeiro, a Louis Ghost + Lou Lou Ghost, “Miracolo a Milano 2011″, de Antonio Marras.

Louis Ghost 50 + 2, da Accademia di Brera.

Esta é a Louis Ghost “From Milano with Love”, por Bob Wilson.

Nesta, o criador reinventa sua criatura: Philippe Starck assina a Louis Ghost “The Ghost of the Scala”.

Masters “Exercise” by Alessandro Mendini

E nem só de cadeiras vive a mostra! Veja a inovadora prateleira/estante  Bookworm, “rovesciaMI”, de Silvana Annicchiarico per Triennale Design Museum.

E agora a Bubble Club, “Madunina”, por Moschino.

Esta é a Lizz, “Milano Mobiles”, criada por Andrea Branzi.

Pop, “Meneguina”, da Etro.

Agora, olha as mesas da coleção Invisibles Light, de Tokujin Yoshioka para a Kartell, totalmente em acrílico – opa, mais transparência!

Percebi outra tendência forte: os móveis empilháveis ou dobráveis, muito práticos e antenados com a realidade de espaços cada vez mais compactos. Já mostramos alguns aqui, mas confira também essas criações a seguir.

A Piana, do britânico David Chipperfield para a Alessi, é totalmente dobrável e fabricada em polipropileno reciclado. Reparou que ela gira em torno de um único ponto, com apenas dois parafusos?

A Tip Ton, dos designers da BarberOsgerby para a Vitra, é no mesmo material e possui um trilho inferior que permite ao usuário se inclinar para a frente.

As mesas de metal Colage, de Alain Gilles para a Bonaldo, são inspiradas em memórias, particularmente as lembranças que temos de formas estranhas. Bom, por trás dessa ideia meio complicada, temos uma peça versátil que pode se transformar de acordo com o espaço.

O showroom da Moroso é outra parada obrigatória. Lá, o visitante vai encontrar a Moon Chair, do japonês Tokujin Yoshioka (ele está em todas!).

O desenho das cadeiras de PearsonLloyd é outro que me chamou a atenção. Elas foram fabricadas pela britânica Modus.

A marca De Castelli apresentará a Shrouded, uma estante que pode ser aberta com uma ligeira pressão com a mão sobre a superfície frontal. Ela tem gavetas de alturas diferentes e desalinhadas, feitas em madeira, e pode ser revestida em cobre, ferro ou latão gravado.

A Alivar vai trazer as mesas Surf, com base cromada e tampo em madeira ou acrílico, pintadas em tom sobre tom. E a cadeira Tulip foca no conforto e na ergonomia, estofada em couro ou tecido e com espuma de metal.

O designer Fabio November é outro grande nome, sempre associado à inovação em peças com um apelo lúdico e sedutor. Para a Casamania, ele fez a cadeira Strip, com uma forma orgânica que sugere uma flor ou um detalhe de vestido feminino.

Outra criação de Novembre é a estante Robox, que trabalha com a noção de módulos em tamanhos diversos e, ao mesmo tempo, remete a uma ligação entre eles para formar uma unidade. Tem um quê de Transformers e ainda ganha um coração – um disco rígido pré-digital, onde o robô guarda suas lembranças…

Gosto muito da história do vaso a seguir, o Story, produzido pelo coletivo sueco Front e o Siyazama Project, um grupo de mulhetes que trabalha com artesanato tradicional. A série de peças conta histórias de cinco mulheres que vivem em aldeias remotas da província de KwaZulu-Natal, na África do Sul.

As histórias abrangem desde assuntos delicados, como os efeitos do HIV na sua sociedade, questões de gênero, pobreza e desemprego, até impressões sobre o que elas gostariam de ter ou comprar. Os detalhes das peças são elaborados em contas de vidro enfiadas em fios – uma técnica artesanal zulu.

Os designers da La Mamba, por sua vez, assinaram estes espelhos para a Omelette, projetados para serem encostados a uma parede e apoiados sobre longas pernas tubulares com pés de cortiça.

E não deixe de prestar atenção no lindo sofá Silver Lake, da consagradíssima Patricia Urquiola para a Moroso.

As mesas Mirage, de Rajiv Saini para a Nilufar, são mais uma bela surpresa que Milão nos reserva.

Os amantes do design também deverão gostar do sofá do francês Philippe Nigro para a Ligne Roset, batizado de Entailles. Uma de suas novidades é a quase-articulação entre as estruturas, que funciona como uma mesinha de apoio para ler, escrever ou colocar uma bebida.

A peça também rompe com a imagem tradicional ao propor encostos de alturas diferentes, que transmitem uma noção de movimento com um estilo contemporâneo. Além disso, seus módulos permitem diferentes arranjos, atendendo às necessidades de versatilidade e dinamismo dos dias atuais.

Ufa, quanta novidade! Materiais naturais ou desenvolvidos com alta tecnologia, móveis customizáveis, funcionais e compactos, cores vivas, linhas simplificadas, muito conforto… E olhe que o Salão de Milão mal começou. Estamos ligados em tudo o que será apresentado e nas tendências utilizadas pelos designers mais criativos e surpreendentes do mundo!

Até o chão

Vem chegando o carnaval e algumas pessoas ficam bem mais receptivas às cores, tocadas por uma alegria que a gente nem sabe ao certo de onde vem. Muitas vezes, só elas são capazes de expressar a alegria dessa festa. Então,  soltamos a imaginação e preparamos alguns posts que mostram como os ambientes podem ganhar personalidade com um novo colorido. Neste primeiro, vamos começar ousando no piso.

Isso aí. É uma ideia que foge do comum e pode tornar mais atrativo o ambiente mais básico. Por que tudo precisa sempre ser cinza, branco, amadeirado? Hoje em dia, os revestimentos incorporam novas tecnologias, ganham atualidade com as tendências e permitem muito mais liberdade de brincar na decoração.

– Os ladrilhos hidráulicos trazem um ar vintage ao ambiente, com um jeito de “feito à mão”. Sua fabricação é de fato artesanal, em moldes de ferro. Eles passam cerca de oito horas debaixo d’água para a cura – daí o nome “hidráulico”. Os padrões deles já são lindos, mas também é possível misturar de vários tipos.

Via Pinterest e Gazeta RS.

– Até a madeira pode ser repaginada. Um piso desgastado pode dar lugar a uma proposta bem autêntica. A pintura parece ser fácil. E, para fazer os desenhos do amarelo, foi utilizado stencil.

Via Vila do Artesão e Kathy Peterson.

– As cores intensas marcam presença nos pisos com resina ou outros materiais. Quebra a monotonia em diversos ambientes, com destaque para a cozinha. Fico pensando: será que enjoa? O conceito é moderno e combina com uma mobília mais neutra, além de objetos de cores complementares.

Via Art DecorationDecorar ponto comHus&Hem e Craftspace.

– Esse é super original. O piso foi grafitado, colorido e protegido com resina.


Via Casa e Jardim.

Claro que, na falta de tempo, dinheiro e paciência para transformar um piso, basta jogar um tapete que já funciona e traz uma corzinha. Mas é interessante saber que é possível ser diferente e explorar os elementos de sempre com outros olhares.

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